Série Profetas e Profecias PARTE 1

Na sociedade em geral, o termo “profeta” é altamente suspeito, e é freqüentemente
associado na imaginação popular com ofícios ocultistas tais como adivinhos, quiromantes e
necromantes. No outro extremo, o termo torna-se totalmente neutralizado quando é usado
em referência a uma pessoa com boa capacidade de previsão: um comentarista político ou
um prognosticador econômico.

No movimento carismático o profeta tornou-se um perpétuo anunciador de palavras
inspiradas, alguém que exercita regularmente o carisma da profecia, ao mesmo tempo em
que para a maior parte da igreja evangélica ele já se tornou extinto. De fato, haver profetas de Deus é postulado pela existência de um Deus que se expressa. Um Deus que não só fala à sua criação e às suas criaturas através de eventos materiais, mas que fala aos homens através de homens. Tal é a natureza inevitável de um Deus pessoal que fez a criação e os homens a fim de se expressar neles através deles.

Na verdade, Deus chegou mesmo a declarar que suas ações nunca excederão à revelação
profética dada por ele! (Am3:7). Se alguém argumentar que Deus tem falado plenamente e
de modo conclusivo a nós pela encarnação do seu Filho, responderemos que o seu Filho
ainda está falando (At.1:1), e que ele faz isto dando profetas à sua igreja (Ef.4:11).
O termo mais antigo para profeta é roeh, vidente, uma palavra também usada para
visão profética. O termo posterior é nabi’, aquele que fala, porta-voz, profeta. Nabi’ vem de
uma raiz que significa levantar-se, vir à luz ou inchar. É relacionada com a palavra para um
ribeiro borbulhante e com verbo jorrar, esguichar abundantes sons e palavras (Pv18:4).

Pode ter um sentido passivo, como de “alguém que se faz borbulhar com o Espírito de Deus,
que é inspirado”, mas é mais corretamente interpretado como tendo um sentido ativo e
contínuo: “alguém que jorra as palavras de Deus”, um divulgador divinamente inspirado, um
anunciador, um porta-voz (Êx7:1; 4:16). Portanto, há um aspecto anterior, passivo e
receptivo no profeta: ele vê. E há um aspecto ativo, comunicativo: ele fala. Ele não é uma
boca meramente; ele tem revelação e percepção da parte de Deus, e é comissionado a
comunicar e agir como porta-voz de Deus, compartilhando de um coração cheio de visão e
revelação.

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS PARTE 1 – ELE VÊ

Conclui-se que o profeta terá um papel a desempenhar sempre que Deus estiver
falando ou agindo. Através dele Deus expressa sua vontade, seus anseios e propósito. O
profeta vê o que Deus está fazendo e dizendo antes de expressar e anunciá-lo (Am1:1).
Deus desvenda o seu propósito ao profeta, pois sem tal revelação ele permaneceria
encoberto (Am3:7). Este desvendamento não vem necessariamente por meio de uma
palavra repentina que lhe “cai do céu”, mas mais freqüentemente consiste de uma crescente
percepção, um arraiar de revelação, pois o profeta está constantemente ouvindo a Deus
com o coração e o ouvido de um discípulo (Is 50:4,5). Depois de ter visto e ouvido, é natural,
ou melhor, inevitável, que ele fale, assim como é natural que o temor siga ao rugido do leão!
(Am 3:8).

Como vidente, o profeta vê claramente e tem percepção até de eventos presentes (2
Rs 6:12). A sua preocupação o tempo todo é com a realização do propósito e desejos de
Deus, e ele procura cumprimento e consumação. Ele compreende as coisas como estão,
mas não as aceita sem mudança. Ele declara a palavra criativa e energética de Deus dentro
da situação presente, e esta palavra torna-se evento ou acontecimento, mudando o que está
ao seu redor. Portanto, uma prova da autenticidade do profeta é se sua palavra acontece,
tornando-se realidade (Dt 18:22).

A personalidade do profeta se envolve muito na sua profecia. Seu temperamento, a
vivacidade da sua imaginação,o tipo de imaginação que possui, seu treinamento mental e
sua formação, todos têm um papel. Ele é um homem preparado por Deus desde o ventre da
sua mãe, e tem sido guiado por um caminho formativo ordenado por Deus. Desta forma
Ezequiel expressa sua mais alta revelação em termos do templo tão bem conhecido por ele,
e Amós usa figuras da sua vida de pastor de ovelhas. Isto não significa que a profecia seja
sempre idêntica à opinião própria do profeta, conforme percebemos claramente na história
do conselho que Natã deu a Davi (2 Sm 7:1-16). Primeiro ele deu conselho, mas este foi
anulado pela palavra do Senhor. Mas, tendo em vista que o profeta é um homem que vive
pela vontade de Deus, e que se permite encher e ser motivado pelos anseios e desejos de
Deus é de esperar que ele experimente um nível cada vez mais alto de unanimidade com o
seu mestre!

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS PARTE 1 – ELE DECLARA

O assunto do profeta corresponde com a sua percepção e carga: a vontade e o reino
de Deus. De fato, esta é a substância de toda a revelação de Deus ao seu povo. O profeta
Moisés (Os 12:13) declarou a vontade de Deus para formar uma teocracia, e toda a profecia
posterior está em harmonia com isso. De fato, um critério para julgar profecia é que qualquer
profeta que afasta o povo da obediência a Deus é um profeta falso (Dt 13:1-3).

O profeta anuncia a vontade e o alvo de Deus. Constantemente fala além das limitações do presente e declara o reino perfeito que será realizado através do Messias. A fim de que isto aconteça, ele declara o juízo vindouro, um juízo que começa agora na casa de Deus. Ele declara o “dia do Senhor”, a perfeita revelação de Deus, envolvendo particularmente (e necessariamente) o juízo e a erradicação de todo o mal. Ele declara a “era vindoura” (Hb 6:5), mas também o seu efeito presente entre um povo atual que será um instrumento em liberar esta era vindoura. Ele mesmo freqüentemente libera os poderes desta era vindoura em sinais miraculosos que apontam para o reino de Deus (por exemplo, Moisés e Elias), mas seu verdadeiro anseio é para que o próprio povo de Deus torne-se, ele mesmo, o maior sinal (Is 8:18 ; Zc 3:8).

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS PARTE 1 – ELE PREDIZ

O profeta faz predições concretas, mas não é nenhum clarividente com a pretensão
de ver adiante um futuro já predeterminado. Ele aceita que a vontade e o tempo de Deus
são ambos reais, não ilusórios. Por estar cheio da vontade e dos desejos de Deus, ele
declara esses desejos criativamente dentro da situação presente, mudando e moldando-a,e
liberando a vontade de Deus para realmente acontecer. Desta forma, Daniel tomou a
predição de restauração feita por Jeremias, respondeu a ela e pela oração trouxe-a ao seu
cumprimento. Há ampla evidência que circunstâncias mudadas alteram uma direção de
eventos anteriormente declarado (Jn 4:2).

O PROFETA HOJE
Por John Maclauchlan
Este livreto foi traduzido de uma série de artigos publicados originalmente nos números 1, 2
e 3 da revista “Proclaim”.
Os direitos autorais pertencem a:
Andrew McFarlane,
113 Springwood
Llandeyrn, Cardiff CF2 6UE

Por serem a história e o tempo fatos reais o profeta reconhece que os obstáculos precisam ser removidos. Por isso ele arranca e derruba (Jr 1:10) para dar lugar à construção firmada daquilo que Deus quer. Essa função destrutiva é essencial para limpar todo o entulho e lixo dos séculos de falsos conceitos e idéias humanas, e para abrir o caminho para Deus fazer novas todas as coisas. Mais do que todos, o profeta sabe que o machado precisa ser posto à raiz das árvores, e que a igreja doentia e esfacelada por divisões precisa dar lugar à nova e pura criação de Deus.

O profeta fala usando conceitos comuns e ele mesmo e aos seus ouvintes. Assim “Sião” era o local geográfico para os judeus; agora, para a igreja, transcende localidade nacional. Se Sião significa a igreja manifestando o reino, os inimigos hereditários (Egito, Moabe, Edom, Assíria, etc.) significam os oponentes do povo de Deus, tanto espirituais como terrenos, e a guerra contra esses inimigos pode ser interpretada como uma expressão da confrontação da igreja com o mal ( Is 1:14). O princípio corporificado pela profecia é o central; somente os acontecimentos poderão revelar até que ponto seus detalhes são literais. A predição do Messias montado num jumento ( Zc 9:9) expressava a sua humildade, e não era necessariamente uma predição concreta até que Jesus a viveu na prática para
expressar o princípio envolvido. O resto da profecia não foi cumprido literalmente, mas o princípio de toda ela é válido.

Portanto, os princípios da profecia são válidos para toda geração. O dia do Senhor significava, numa época, juízo pelas mãos da Assíria, e significará juízo final. Nos dias da Reforma, identificava-se o anticristo com o Papa, depois mais recentemente com Hitler, mas será o homem do pecado dos tempos do fim. As manifestações destes princípios voltam a ocorrer repetidas vezes na história, mas o círculo da profecia se fechará com a consumação, a expressão completa desses princípios. O ingrediente ausente de permanência e consumação é integralmente ligado à ressurreição ( Is 26:14-19), que por este motivo é também um tema central para o profeta. Ele vê que esta geração, a sua geração, pode completar a vontade de Deus ( 2 Pe 3:12) e prosseguindo, entrar na imortalidade.

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS PARTE 1 – ELE COMUNICA

O profeta tem um senso de história e um senso de destino. Ele tem sempre a
consciência de estar levando para frente algo que foi iniciado a muito tempo, de estar
desenvolvendo algo já existente. Ao declarar o reino de Deus agora, ele é cônscio de ser um
descendente direto daqueles que primeiro proclamaram este grandioso tema.
Por causa do seu senso de história e de destino, que se combina com uma profunda
história pessoal dos tratamentos de Deus, ele se torna singularmente capaz de comunicar
um senso de história e de destino para o povo de Deus.

Num sentido, o próprio profeta personifica o propósito de Deus e deve se livrar de interesses pré-estabelecidos sejam em termos do cumprimento das suas palavras ou em termos de patriotismo e nacionalismo. Sua única preocupação é a causa e o reino de Deus. Deus fala conforme o seu querer, não para responder a curiosidade ou impaciência do homem. O profeta serve a Deus e não ao homem. Contudo, como já vimos, o cumprimento é influenciado pela resposta do homem. O juízo profetizado pode ser evitado pelo arrependimento; bênçãos prometidas podem ser realizadas pelo comprometimento fiel.

Devido ao seu senso da iminência de Deus, o profeta freqüentemente declarará não só que “o tempo está próximo”, mas que “agora é” ( Jo 4:23). Enquanto ele declara que algo é , acontece; enquanto ele fala da era porvir ela irrompe dentro do presente século mau. Quando um povo inteiro surgir, correspondendo à palavra profética de Deus desta forma, a consumação virá. O profeta é fundamental para trazer tudo isso à existência ( Ef 2:20), e a igreja não pode ser edificada sem ele.

Ele traz revelação ( Ef 3:4,5) e imprime direção.Transmite visão, e incita movimento. Estende o horizonte do povo, e proporciona propósito para sua vida cotidiana.Ele tem uma função especial em relação a outros líderes, liberando a sua liderança e dirigindo a sua função (veja Ageu Zacarias). Traz orientação, direção e revelação a vidas individuais (At 21:10,11), e pode muitas vezes não ser popular, pois se opõe a tudo que impede o propósito de Deus. Ele não receia ferir antes de curar. Mas, sem ele, o senso de propósito e alvo da igreja, e a sua correspondência presente ao Deus vivo, estariam ausentes. Sem o profeta, seitas e denominações nascem, dependendo de credo fixo e
doutrinas formuladas para sua segurança, e perdendo inteiramente e seu impulso e propósito em Deus.

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SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS – DEUS ESTÁ RESTAURANDO

Deus agora está restaurando profetas para a igreja. As outrora escassas fileiras de homens que, através dos séculos, têm falado destemidamente do coração de Deus ao seu povo, estão aumentando. Como podemos reconhecer tais homens? Ou como alguém pode conhecer o chamado de Deus para si? Esta última pergunta se responde mais facilmente, pois envolverá uma comissão direta de Deus, ou uma comissão através de alguém que já esteja operando nesse ministério. Mas um artigo como este pode trazer o início de um comissionamento, por despertar uma percepção crescente do tratamento de Deus em certas maneiras e do desenvolvimento de certas características. E aqui as duas perguntas se fundem em uma só…

O papel profético envolve pensamento profundo (quer seja um homem de formação “acadêmica” como Paulo ou Ezequiel, quer seja “prático” como Amós), meditação e comunhão constante com Deus. Nisso não existe nenhuma implicação de espírito pesado (Jesus, o profeta por excelência, comungava incessantemente com seu Pai e ao mesmo tempo apreciou a vida ao máximo), mas somente de realidade com Deus. Freqüentemente haverá estudo e tempos específicos de esperar em Deus. O profeta não é um dispensador de “mensagens inspiradas” provenientes de mente vazia. Ao contrário, sua vida inteira foi moldada por Deus a fim de poder expressá-lo.

Ele terá que passar por experiências profundas e pessoais à medida que sua vida é moldada e transformada. Estas experiências muitas vezes serão entre si e Deus somente e podem ser incompreendidas por aqueles ao seu redor. Através disso, ele desenvolverá uma nova perspectiva de tudo na vida, pois estará comungando com Deus através de todas as coisas. Eventos mundiais e corriqueiros e sua leitura tornam-se atividades em que Deus se comunica com ele, dando-lhe entendimento e perspectiva divinos. Ele desenvolve o que podemos chamar de “consciência profética”. Por ter ele elemento de vulnerabilidade (particularmente nos mais jovens), à medida que estas características se desenvolvem, ele fará bem em se relacionar de perto com alguém em quem veja uma expressão mais madura dessas qualidades, e se abrir e submeter sua vida a ele.

Mais e mais ele “verá” e verá mais e mais. À medida que vê, ele falará e começará a comunicar o peso do coração de Deus aos que estão ao seu redor. Por ver mais e mais claramente, ele introduzirá conceitos que serão novos parar os seus ouvintes, e começará a dar direção em situações diversas, pois, ele vê as coisas de modo diferente daquele que olha somente para o exterior. Mais e mais experimentará a direção do Espírito, e uma consciência que sua vida é orientada em todas as coisas por Deus. A paixão que o consome será a mesma do Espírito Santo (Jo 16:14): a liberação e expressão da glória de Jesus Cristo na igreja e através da terra.

CONTINUE LENDO…

Série Profetas e Profecias PARTE 1

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS Nº 1
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Mas a sarça ardente ainda está no nosso meio. Sempre estará. A voz de Deus há de
ecoar nos ouvidos daqueles que ele escolheu. Quando ouvimos tal palavra interiormente
tiramos os nossos sapatos
porque o lugar e o momento são sagrados.

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